Caminhoneiros autônomos querem reunião com Bolsonaro para evitar nova greve

Categoria quer ajustes nos preços do diesel e cumprimento de promessas feitas para encerrar a paralisação de 2018, entre elas a tabela do frete

Por Estadão Conteúdo

Caminhoneiros autônomos estão insatisfeitos com o governo federal. Segundo eles, promessas feitas por Michel Temer para encerrar a greve de 2018 ainda não foram cumpridas, além disso os profissionais reclamam dos preços do diesel.

Para resolver o impasse e evitar uma nova paralisação, os caminhoneiros querem uma reunião com a presença do presidente da República, Jair Bolsonaro. “A categoria apoiou ele em 100% praticamente nas eleições [de 2018]. Então agora exige a presença dele na reunião”, afirma o presidente da Associação Nacional do Transporte Autônomos do Brasil (ANTB), José Roberto Stringasci.

Caso não cheguem a um acordo com o governo federal, os caminhoneiros autônomos pretendem realizar uma greve nacional, prevista para começar no dia 1º de fevereiro.

Promessas não cumpridas

De acordo com Stringasci, a alta do preço do diesel é o principal motivador da nova paralisação, mas conquistas obtidas na paralisação de 2018, que chegou a prejudicar o abastecimento em várias cidades, também estão na lista de dez itens que estão sendo reivindicados ao governo para evitar a greve.

“Esse (diesel) é o principal ponto, porque o sócio majoritário do transporte nacional rodoviário é o combustível (50% a 60% do valor da viagem) Queremos uma mudança na política de preço dos combustíveis”, informa.

Ainda monopólio da Petrobras, a produção de combustíveis no Brasil passou por mudanças em 2016, quando foi instituído o Preço e Paridade de Importação (PPI), praticado até hoje. Na época, os reajustes eram praticamente diários, seguindo a flutuação do mercado internacional, mas agora obedecem apenas a lógica da paridade, sem prazo determinado.

“A Petrobras não foi criada para gerar riqueza para meia dúzia, a Petrobras é nossa e tem que ajudar o povo brasileiro e o Brasil”, afirma Stringasci. “Queremos preços nacionais para os combustíveis, com reajuste a cada seis meses ou um ano. Essa é uma das maiores lutas nossas desde 2018, e até antes, e até hoje”, destaca.

Outras reivindicações são o preço mínimo de frete, parado no Supremo Tribunal Federal (STF), após um recurso da agropecuária, e a implantação do Código Identificador de Operação de Transporte (Ciot), duas conquistas de 2018.

Nova greve dos caminhoneiros

A greve dos caminhoneiros, prevista para o próximo dia 1º de fevereiro, vem crescendo em adesões e, de acordo com o presidente da ANTB, José Roberto Stringasci, poderá ser maior do que a realizada em 2018, devido ao grau crescente de insatisfação da categoria.

Integrante do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC), que na semana passada já alertou para a possibilidade de uma paralisação nacional, a ANTB representa cerca de 4,5 mil caminhoneiros, e não vê problema de realizar uma greve em plena pandemia.

“A pandemia nunca foi problema. A categoria trabalhou para cima e para baixo durante a pandemia. Muitos caminhoneiros ficaram com fome na estrada com os restaurantes fechados, mas nunca parou”, afirma Stringasci.

Ele diz que a greve já tem 70% de apoio da categoria e de parte da população, diante de preços em alta não apenas no diesel, mas em outros combustíveis, alimentos e outros itens que elevaram a inflação em 2020. “Eu creio que a greve pode ser igual a 2018. A população está aderindo bem, os pequenos produtores da agricultura familiar também”, alerta.


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