Os invasores se dizem autônomos e sem ligação com nenhum tipo de movimento

Uma área de aproximadamente 60 hectares foi invadida por mais de 30 famílias em Sinop (500 km de Cuiabá) no último domingo (08). No local, já é possível ver diversos barracos montados e marcações de separação de lotes feitas por parte dos posseiros.

Um Boletim de Ocorrência foi registrado pelo caseiro da propriedade, comunicando a invasão. No documento, é mencionada outra situação semelhante na mesma terra, que  passou por uma desocupação judicial em 2005. A terra ocupada é de propriedade Vânia Tonello Moreno e foi recebida por meio de herança de seu pai. Vânia conta que a terra foi adquirida em 1992 e seu pai foi o terceiro proprietário da área, comprada diretamente da Colonizadora Sinop.

Ela conta ainda que tentou cercar a propriedade, mas que foi impedida por ameaças mais contundentes.

“Nós colocávamos os palanquinhos (poste de cerca) de dia, à noite eles iam lá e quebravam tudo. Um certo dia, veio uma pessoa bastante agressiva, dizendo que eu não podia mexer naquela área, que era de um grileiro e que teria sérios problemas se continuasse no local”, relata.

Invasores

Já um dos um dos invasores da terra, José Emiliano da Silva, garante que o grupo é organizado e que conta com o apoio de um advogado da Capital (Cuiabá).

“Nós somos uma grande família e estamos em busca de um pedaço de terra para começarmos a nossa vida. Não temos apoio de nenhum movimento social, partido político ou grupo de sem-terra”, detalha.

José ainda detalha que o grupo vem analisando a invasão desta propriedade há anos e que, há cerca de 08 meses, foi tomada a decisão de entrar na propriedade. Eles contam ainda que conhecem o histórico completo da área, inclusive, tendo conhecimento de que a atual proprietária comprou a terra há 19 anos, dizendo ainda que a compra teria sido por meio de um contrato de gaveta.

O documento ao qual José faz referência é um protocolo no Instituto de Terras do Estado de Mato Grosso (INTERMAT), dando conta de que os solicitantes de posse da área já estariam no local há muito tempo, inclusive produzindo na área. O documento diz ainda que a terra solicitada seria uma sobra de propriedade sem dono.

Ainda em sua defesa a proprietária da terra confirma que a área invadida não era mesmo produtiva, mas que o motivo seria uma determinação do IBAMA.

“Nesta localização, o IBAMA diz que tenho que manter 80% da área como reserva permanente e não posso fazer plantação nela. Agora novamente, assim como em 2005, eles vão desmatar tudo e vou ter que arcar com os prejuízos novamente”, diz Vânia, ainda relatando que os grileiros também estariam promovendo queimadas sistemáticas na área.

fonte: olivre