Com viaturas recolhidas, blitzes na Capital estão suspensas e motoristas se excedem

VIATURAS RECOLHIDAS

Empresa que aluga carros para o Estado está com mais de 200 viaturas recolhidas por falta de pagamento às locadoras, como mostra foto feita com drone

Desde 2 de novembro de 2018, ou seja, há 2 meses, a Operação Lei Seca está suspensa na Grande Cuiabá por falta de viaturas. A novela não é nova. Faltaram carros oficiais na Segurança Pública ao longo do ano que encerrou. Neste espaço de tempo, duas pessoas morreram vítimas de acidente de trânsito e outras duas ficaram gravemente feridas, sendo que uma delas perdeu a perna. Entre novembro e dezembro a Delegacia de Delitos de Trânsito (Deletran) esteve com apenas um carro para atender a Capital e Várzea Grande. Atualmente a delegacia conta com cinco carros.

Arquivo

delegado Cristian Deletran

Delegado Christin Cabral, titular da Deletran, reclama que, sem viaturas, fica difícil trabalhar

 O delegado Christian Cabral, titular da Deletran, afirma que, diante desta situação, o condutor fica muito solto. “Nós tivemos um aumento extremamente significativo de mortes e acidentes no trânsito na Capital neste último ano. Mais de 20% de incremento e infelizmente grande parte desta violência é atribuída à diminuição das ações de fiscalização”.

 Isso porque no segundo semestre de 2018, em virtude da falta de recursos, em especial a falta de viaturas e outros matérias, as edições da Operação Lei Seca foram reduzidas a somente duas por mês em Cuiabá.

Tivemos aumento significativo de mortes e acidentes no trânsito na Capital e infelizmente grande parte desta violência é atribuída à diminuição da fiscalização

Delegado Christian Cabral

“Isso impactou nesse aumento da violência no trânsito. É importante dizer que para as leis terem eficácia nas vidas das pessoas, elas precisam acreditar que serão alvos de fiscalização caso desobedeçam aos comandos legais. Quando isso não se estabelece a sensação de impunidade impera e acontecem as tragédias”, apontou.

Frota recolhida

O ônibus, denominado delegacia móvel e que serve como ponto de apoio nas operações, foi recolhido para manutenção e não nunca mais devolvido. “Isso foi em abril passado, e não nos entregaram novamente e isso prejudicou as operações. Inúmeras viaturas operacionais também foram recolhidas ao longo do ano para manutenção. Então com essa diminuição dos recursos materiais, não conseguirmos realizar nos últimos dois meses a operação”, lamenta o delegado.

Rodinei Crescêncio

VIATURAS RECOLHIDAS

Escassez de viatura por falta de pagamento é um problema que marcou todo o ano de 2018

Uma prova disso está no pátio da CS Brasil. Empresa que aluga carros para o Estado está com mais de 200 viaturas recolhidas por falta de pagamento às locadoras. Este total representa mais de 25% dos carros utilizados pelos órgãos de Segurança Pública de Mato Grosso, segundo a União dos Conselhos de Segurança do Estado.

Um dos contratos com 750 unidades terminou no início de novembro.

Impactos

Segundo dados divulgados em junho de 2018, do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, a regularidade da ação fiscalizadora reduziu em 14% o número de mortes em todo Brasil.

Os casos

O gari Dalirney Madaleno, 41 anos, da Prefeitura de Cuiabá, trabalhava na madruagada do dia 20 de novembro, um feriado, quando foi atingido violentamente por um Jeep Renegade preto. Fazia a coleta de lixo, na avenida Getúlio Vargas e foi imprensado entre os veículos. Teve que amputar a perna.

Deletran

segundo gari atropelado

Gari estava fazendo a coleta neste caminhão da Prefeitura quando foi prensado por 2 carros

A condutora do Jeep, Luiza Farias Correa da Costa, 68, que é procuradora estadual aposentada, passou por teste de bafômetro. Segundo a Polícia Civil, o exame identificou uma taxa de 0,66 mg de álcool por litro de ar expelido. Duas vezes a mais do que é permitido pela lei. Ela foi solta durante audiência de custódia pagando uma fiança de R$ 7,6 mil e em menos de 12 horas já estava em casa.

Pouco mais de um mês depois, a professora substituta da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Rafaela Screnci Ribeiro, 33, atropelou três jovensque saíam da boate Valley Pub.

Myllena de Lacerda Inocêncio, 22, morreu na hora. Ramon Alcides, 25, uma semana depois e e somente Hya Giroto, 21, está resistindo aos ferimentos.

atropelados na isaac hya e ramon

Hya está internada, mas vem resistindo. Já Ramon faleceu, assim como a colega Myllena

 Promessa de retomada

Novo titular da Secretaria de Segurança Pública, Alexandre Bustamante, disse ao rdnews que o objetivo é retomar a Lei Seca o quantos antes, uma vez que essa ação é uma das prioridade da gestão. “Vamos fazer blitz para todo lado e melhorar a fiscalização nos pontos críticos, que já estão mapeados. Nós vamos nos reunir com o Detran, Deletran, entre outras instituições que fazem parte do pacto da Lei Seca e colocar o bloco na rua. Não existe uma outra forma de fazer, a não ser várias operações conjuntas. E não é só a Segurança Publica, é chamar a imprensa para divulgar o trabalho, e com isso a sociedade vai comprando esta ideia, vamos dar uma resposta positiva”, garante.

Sobre a falta de viaturas, a  secretaria possui uma frota de aproximadamente 2 mil veículos, sendo 1.088 locados e cerca de mil próprios e acautelados. Bustamente afirma que está concluindo um relatório para analisar qual a real situação do imbróglio.

“Estamos terminando o diagnóstico das viaturas, vendo quantas estão paradas e quantas recolhidas e os contratos com as empresas de manutenção que prestam serviços. Assim que tivermos com tudo pronto vamos passar tudo para a imprensa. O nosso objetivo é retomar o quanto antes a Lei Seca. Mas, para isso, precisamos de viaturas, e estamos fazendo tudo o possível para que seja logo”.

Dados

Conforme o Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, em Mato Grosso, entre 2014 e 2017, registrou um total de 4.175 mortes por acidente de trânsito.

fonte: rdnews


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