Deputado Federal de Mato Grosso teria usado dinheiro desviado da Educação para pagar dívida de campanha, diz delator

Por Pollyana Araújo, G1 MT

Nilson Leitão teve o nome citado em delação do empresário Alan Malouf — Foto: Reprodução/ Globo

Nilson Leitão teve o nome citado em delação do empresário Alan Malouf — Foto: Reprodução/ Globo

O deputado federal Nilson Leitão (PSDB) teria sido um dos beneficiados com o esquema de desvio de dinheiro da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), entre 2015 e 2016. O nome dele foi citado na delação do empresário Alan Malouf, que também participou da organização criminosa, firmada com a Procuradoria Geral da República (PGR). O G1 tentou contato com o parlamentar, mas até a publicação desta reportagem não obteve retorno.

O fim do sigilo da delação foi determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sexta-feira (19), após a homologação.

Malouf confessou ter feito parte do esquema de desvio de dinheiro por meio de licitações fraudulentas para reforma e construção de escolas para tentar reaver doações feitas à campanha do governador Pedro Taques (PSDB), em 2014.

Segundo ele, Nilson Leitão foi quem indicou o ex-vereador por Cuiabá e ex-presidente regional do PSDB, Permínio Pinto, para comandar a Secretaria Estadual de Educação na atual gestão.

Ele disse ter ouvido do empresário Giovani Guizardi, dono da Construtora Dínamo, que também participou das fraudes, que Nilson, Permínio e o ex-servidor da pasta Fábio Frigeri foi quem iniciou todo o esquema na Seduc. Guizardi, que assim como Alan e Permínio foi preso acusado das fraudes, tinha sido incumbido por Permínio para tratar com os empresários do pagamento de propina.

Consta nos depoimentos de Malouf que, em determinada ocasião, Guizardi, afirmou que só ele (Alan) não estava recuperando o dinheiro gasto na campanha porque Nilson e Permínio estavam com esquema na Seduc para saldar dívidas de campanha de Nilson e ainda retirar uma quantia mensal “por fora”.

O esquema na Seduc

O esquema contava com a participação de empresários do ramo da construção e servidores públicos e foi desmantelado durante a Operação Rêmora, do Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em maio de 2016.

Os contratos envolvendo os supostos integrantes do esquema somam R$ 56 milhões. Inclusive, 16 desses contratos, no valor de R$ R$ 20,7 milhões, foram suspensos temporariamente pela Seduc, pelo prazo de 60 dias, para averiguação. Os contratos são referentes a obras de construções de quadras poliesportivas, de cozinhas e de refeitórios, reformas de calçadas e banheiros, instalação elétrica e obras de acessibilidade.

Conforme o Ministério Público Estadual (MPE), a quadrilha fazia reuniões ocultas antes da publicação de editais de licitação de obras públicas. Nessas ocasiões, os integrantes do cartel discutiam e formulavam regras de distribuição das licitações entre eles, assim como estipulavam os padrões de ofertas que davam cobertura aos vencedores já previamente escolhidos, ajustando os valores das propostas com base nos preços por eles estipulados livremente, sem a interferência da concorrência.


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