Dos 22 deputados que disputarão eleição, apenas 7 não foram envolvidos em escândalos e delações

Dos 22 deputados estaduais que vão à reeleição ou disputarão outro cargo eletivo, apenas sete passaram ilesos a escândalos e “festivais” de denúncias que atingiram em cheio o coração do Legislativo nos últimos anos. Deste grupo, seis atuam pela primeira vez na Assembleia.

São eles Max Russi (PSB), Janaina Riva (MDB), Allan Kardec (PDT), Valdir Barranco (PT), Leonardo Albuquerque (Solidariedade) e Saturnino Masson (PSDB).  Zeca Viana (PDT) também saiu ileso das delações, mas está no segundo mandato.

Rodinei Crescêncio

Deputados

 Fora dos escândalos, Saturnino, Leonardo, Barranco, Allan, Janaina e Max estão no 1º mandato; já Zeca se reelegeu

Oscar Bezerra (PV) e Silvano Amaral (MDB), que estrearam nesta Legislatura, não tiveram a mesma sorte, pois foram citados pelo ex-governador Silval Barbosa, que firmou acordo de colaboração premiada (delação) com a Procuradoria-Geral da República (PGR), homologada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux.

Oscar, como presidente da CPI das Obras da Copa, é acusado de cobrar propina de Silval para livrá-lo de possíveis indícios no relatório final da Comissão. Silvano, por sua vez, teria cobrado “repasses ilegais” ao ex-governador para votar favorável às contas de governo. Ambos negam qualquer tipo de envolvimento em irregularidades.

Também pela primeira vez no legislativo estadual, Wancley Carvalho (PV) também é investigado pelo STF, por conta das delações de Silval e sua família. Ele, no entanto, não buscará reeleição, por questões de saúde.

Ainda há aqueles deputados que terão de redobrar as andanças durante a campanha eleitoral para conseguir votos, em razão do desgaste gerado pelas denúncias. São eles: Mauro Savi (DEM), Gilmar Fabris (PSD), Wagner Ramos (PSD), Romoaldo Junior (MDB) e Baiano Filho (PSDB).

Savi está preso desde 12 de maio, em razão da segunda fase da Operação Bereré, denominada Bônus. O Gaeco aponta que o parlamentar era considerado “dono” do Detran, que repassava propina a agentes públicos por meio de empresas que possuíam contratos com a autarquia. Fabris, por sua vez, foi preso no ano passado, acusado de obstruir à Justiça nas diligências da Operação Malebolge – ele também é citado na delação de Silval.

Romoaldo, Wagner Ramos e Baiano foram gravados em som e/ou vídeo. O trio é citado na delação do ex-governador. O social-democrata e o tucano aparecem em imagens “cobrando” propina do filho de Silval, Rodrigo Barbosa, e do ex-chefe de gabinete de Silval, Silvio Correa.

Romoaldo, por sua vez, seria o interlocutor entre Wagner Ramos com o irmão de Silval, Toninho Barbosa e Rodrigo com intuito de aprovar as contas de 2015 do ex-governador.

Outros deputados que sofreram com as delações foram o presidente da Assembleia Eduardo Botelho (DEM) – no primeiro mandato -, Guilherme Maluf (PSDB), Ondanir Bortolini, o Nininho (PSD), Pedro Satélite (PSD), Wilson Santos (PSDB), Dilmar Dal´Bosco (DEM) e Adalto de Freitas, o Daltinho (Patriota).

Na delação de Silval, Satélite, Nininho, Dilmar e Maluf, que também é citado nas Operações Rêmora e Convescote, são suspeitos de receberem “mensalinho” para aprovarem projetos de interesse do governo.

Daltinho, por sua vez, é acusado de gravar reunião do Colégio de Líderes da Assembleia para chantagear os colegas. A reunião realizada entre 2012 e 2013, quando o ex-deputado José Riva era presidente do Legislativo, teria como objetivo buscar uma forma de conseguir mais dinheiro de Silval.

Já Botelho e Wilson aparecem nas investigações acerca da Beberé, que apura pagamentos de propina dentro do Detran. Ambos, inclusive, foram denunciados pelo Ministério Público Estadual (MPE).

Já os que saiu quase despercebido foi Sebastião Rezende (PSC). O parlamentar consta na lista dos que receberam “mensalinho” pago pelo governo para aprovar projetos de interesse do Executivo. No entanto, não teve a imagem manchada com divulgação de vídeo ou áudio.

O único parlamentar que desistiu de concorrer à reeleição em razão das denúncias foi Zé Domingos Fraga (PSD). O deputado de terceiro mandato, nos materiais da delação de Silval, aparece colocando maços de dinheiro numa caixa de papelão, juntamente com o então colega de Legislativo Ezequiel Fonseca (PP).

Reflexo

O analista político Alfredo da Mota Menezes avalia que os escândalos afetam a imagens dos parlamentares. Aqueles que foram presos ou tiveram imagens veiculadas em rede nacional serão os mais atingidos. No entanto, o analista lembra que muitos deles estão no segundo ou terceiro mandato e têm suas bases eleitorais no interior, onde fazem um trabalho para “desmentir” as acusações contra eles. Por isso, com base em pesquisas nacionais, Alfredo acredita que a renovação ficará no percentual natural, entre 30% e 40%.

Para sustentar essa ideia, o analista faz algumas pontuações, como o fato desta eleição ser curta – são 45 dias de campanha eleitoral –, bem como o poder aquisitivo que esses parlamentares terão. “O financiamento público vai para os grandes partidos, que têm deputados e senadores com mandatos. Além disso, essas siglas ficam com o maior bolo do horário gratuito onde estão os caciques”.

fonte: rdnews


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