Em 31 anos, Mato Grosso terá mais idosos que crianças

DEMOGRAFIA

Levantamento do IBGE estima demograficamente os padrões de crescimento da população até 2060

Neste ano, Mato Grosso atingiu 3,4 milhões de habitantes. Em relação a 2017, quando eram 3,3 milhões de pessoas, a população mato-grossense cresceu 3%. Uma tendência que o Estado deve manter até 2060, colocando-o entre as oito unidades da federação brasileira que não diminuirão o volume populacional pelos próximos 42 anos.

Ao longo desse período, a expectativa é de que a população mato-grossense com mais de 60 anos praticamente triplique de tamanho e atinja 27,8% do total. Esse indicador em 2018 está em 10,38%. Contudo, a partir de 2049, a população com 65 anos ou mais ultrapassará o de menores de 15 anos. No período, o índice de envelhecimento saltará de 28,27% para 128,82%, no Estado.

Essas são algumas das informações da revisão 2018 da “Projeção de População” do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento divulgado, ontem, estima demograficamente os padrões de crescimento da população do país, por sexo e idade, ano a ano, até 2060. O dado tem como base o levantamento populacional do Censo de 2010.

No país, segundo o IBGE, o crescimento populacional brasileiro está desacelerando e deverá crescer até 2047, quando chegará a 233,2 milhões de pessoas. Nos anos seguintes, ela cairá gradualmente, até os 228,3 milhões em 2060.

No Estado, esse crescimento segue até 2065. Pela projeção do IBGE, em 2020, serão 3,5 milhões de mato-grossenses. Esse número subirá gradativamente, ano após ano, chegando 4,4 milhões, em 2060. Dos atuais 3,4 milhões de mato-grossenses, 1,7 milhão são homens e, 1,6 mi, mulheres.

Nesse ano, segundo a pesquisa, um quarto da população brasileira (25,5%) deverá ter mais de 65 anos. Nesse mesmo ano, o país teria 67,2 indivíduos com menos de 15 e acima dos 65 anos para cada grupo de 100 pessoas em idade de trabalhar (15 a 64 anos).

A projeção detalha a dinâmica de crescimento da população brasileira e acompanha suas principais variáveis, sendo elas, a fecundidade, mortalidade e migrações. Conforme o IBGE, hoje a esperança de vida ao nascer é de 74,71 anos, em Mato Grosso. Daqui a 42 anos, será de 80 anos. No caso das mulheres, essa expectativa saltará de 78,3 para 83,7 anos. Entre os homens, de 71,6 para 77,5, no mesmo período.

Já Santa Catarina, que hoje tem a maior esperança de vida ao nascer para ambos os sexos (79,7 anos), deverá manter essa liderança até 2060, chegando aos 84,5 anos. No outro extremo, o Maranhão (71,1 anos) tem a menor esperança de vida ao nascer em 2018, condição que deverá ser ocupada pelo Piauí em 2060 (77,0 anos).

Em relação à migração internacional, a projeção considerou à emigração da Venezuela para Roraima entre 2015 e 2022. Nesse período, migrariam para Roraima cerca de 79,0 mil venezuelanos. Em Mato Grosso, o saldo migratório é de 4.438 imigrantes, em 2018. Em 2060, será de 3.533. Só seis meses, aproximadamente 120 venezuelanos vieram para Cuiabá.

Já entre alguns motivos que levam à desaceleração da taxa de crescimento da população um dos principais é a redução da taxa de fecundidade. Além disso, as mulheres estão engravidando mais tarde e a relação entre idosos e jovens está diminuindo.

Quanto a taxa de fecundidade total para 2018 é de 1,77 filho por mulher. Em Mato Grosso, essa média atualmente é de 2,06 filhos. Já em 2060, o número por mulher deverá reduzir para 1,66, no país. No Estado, será de 1,80, o que o coloca está entre as unidades da federação com maiores taxas de fecundidade.

Os demais são Roraima (1,95), seguido por Pará, Amapá, Maranhão, Mato Grosso do Sul, todos com 1,80. As menores deverão ser no Distrito Federal (1,50) e em Goiás, Rio de Janeiro e Minas Gerais, todos com 1,55. Já a idade média em que as mulheres têm filhos é de 27,2 anos em 2018 e deverá chegar a 28,8 anos em 2060.

O estudo demográfico foi realizado em parceria com órgãos de planejamento de quase todos os estados brasileiros e segue as recomendações da Divisão de População das Nações Unidas. Entre as justificativas para a revisão estão mudança no comportamento esperado na projeção de 2013 para fecundidade e melhoria da cobertura dos registros de nascimento no Brasil na última década e a migração internacional.

Texto: Joanice de Deus/Diário de Cuiabá


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