O pré-candidato à presidência da República Geraldo Alckmin (PSDB) defendeu o armamento civil no campo, durante jantar com ruralistas na noite desta quinta-feira (05), em Cuiabá (MT). A questão é uma das principais demandas dos produtores mato-grossenses, que sofrem com índices crescentes de roubos e assaltos a fazendas.

“Eu pretendo liberar a questão da posse e porte de arma em área agrícola”, disse o tucano para cerca de 200 convidados da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa). A frase soou como música para os presentes, mas não convenceu.

“Meu pai era veterinário; morei em fazenda até meus 16 anos e sei que no campo é diferente da cidade. Na cidade, você disca o 190 e a polícia está na sua porta, você tem vizinhos, enquanto no campo você está isolado”, afirmou Alckmin.

A defesa pró armamentista ocorreu um dia após seu ex-assessor especial para o agronegócio, o produtor e diretor da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Frederico D’Ávila, deixar a campanha tucana para ser o homem forte de Jair Bolsonaro (PSL) no campo, segundo O Globo.

O pré-candidato da extrema direita tem conquistado votos dos ruralistas pelas propostas na área de segurança, e até mesmo em um estado historicamente “tucano”, como Mato Grosso, a preferência por Bolsonaro fez acender um alerta na alta cúpula do PSDB, que até então não tinha grandes dificuldades em conquistar o apoio do setor que corresponde a mais de 50% do PIB estadual.

Alckmin também anunciou a criação de uma agência voltada ao combate do crime organizado e a criação de uma guarda nacional permanente, que atuaria especialmente nas fronteiras.

Reformas

O pré-candidato abordou a necessidade de reformas e prometeu ao menos quatro para fevereiro, caso seja eleito neste ano: tributária, política, previdenciária e do Estado, esta última tem ganhado força em meio a bancada puxada pelo líder do partido da Câmara, deputado federal Nilson Leitão, pré-candidato ao Senado.

“Para que o país volte a crescer, a primeira coisa que precisa ser feita é um ajuste fiscal e zerar o déficit primário, que pode comprometer a política cambial. É o que fizemos em São Paulo. Cortamos e geramos um superávit. O Brasil é um mar de obras paralisadas porque não tem dinheiro para investir. Falta dinheiro, é preciso cortar gastos para crescer”, disse.

Municiados com números do estado de São Paulo, que governou por três vezes, Alckmin animou os produtores no quesito infraestrutura, gargalo antigo do estado que utiliza majoritariamente o transporte rodoviário para o escoamento das safras. “Temos que investir para chegar aos portos de maneira rápida e econômica. Das 20 melhores autoestradas do Brasil, 19 estão em São Paulo”, destacou.

Para o presidente da Ampa, Alexandre Schenkel, Alckmin é o nome mais preparado entre aqueles que se colocaram até o momento, que, segundo ele, reúne as características de um bom gestor. “Tem experiência necessária que o país precisa para dar segurança a quem produz”, pontuou.

Também participaram do jantar o governador Pedro Taques (PSDB-MT) e o mega produtor rural Eraí Maggi, primo do ministro da Agricultura Blairo Maggi.

Na manhã desta sexta-feira (06), Alckmin segue agenda em Mato Grosso e participa de ato com correligionários na sede da Famato.

fonte: olivre