Ex-PM acusa Arcanjo de ter mandado matar vereador Valdir Pereira de Várzea Grande

Ex-policial Célio Alves apontou João Arcanjo Ribeiro como mandante da morte do vereador na época, Valdir Pereira, durante audiência realizada nesta terça-feira (26) em Várzea Grande.

O crime ocorreu no dia 7 de agosto de 2002 e segundo Célio, Arcanjo teria mandado matar Valdir temendo que o mesmo o matasse e tomasse o império dos caça-níqueis. O executor do vereador teria sido o ex-policial Hércules Agostinho.

Na audiência de ontem também foram ouvidos Hércules, João Leite, Edmilson Pereira da Silva e José de Barros Costa, todos denunciados pelo assassinato.

Arcanjo, que também foi denunciado, teve o processo suspenso devido a pendências no processo de extradição. Foram ouvidas duas testemunhas, uma para quem Edmilson teria contado o crime e o irmão de Valdir, Denivaldo Pereira.

Célio Alves negou qualquer participação no crime. Afirmou que não conhecia Arcanjo e que passou a ter contato com ele quando dividiram a mesma ala na Penitenciária Central do Estado.

O ex-PM afirmou que João Leite foi o agenciador do crime. João Leite trabalharia com o sargento José Jesus de Freitas, que era o braço direito de Arcanjo. Sargento Jesus foi morto em 2002 e o interesse de Leite seria assumir o posto deixado pelo antigo patrão. Por isso, teria inventado que Valdir Pereira teria matado Jesus para assumir o mercado de caça-níquel e que para isso o próximo a morrer seria Arcanjo. Com isso, Arcanjo teria mandado eliminar Valdir Pereira para descartar os riscos.

“Eu resolvi contar agora pois sou uma nova pessoa. Cansei de ser condenado por coisas que não fiz. Vou dizer uma coisa, não tenho mais medo de ninguém, nem de Arcanjo e nem de Hércules”, disse Célio.

João Leite afirma que não tem qualquer ligação com o crime e a história contada por Célio é uma “mágoa pessoal”. “Ficamos preso durante um tempo e Célio achava que eu devia algum favor a ele. Ele está irritado porque está preso e eu estou solto, quer me colocar de qualquer jeito preso”.

Leite ficou preso por quase 9 anos. Entre os crimes, foi condenado por participação na morte do jornalista Sávio Brandão. “Nem sei o porquê, nem imagino, Deus é justo e não vou puxar mais cadeia por causa dele”, disse.

O crime

Em junho de 2011 Arcanjo, João Leite, Hércules, Célio Alves, Edmilson Pereira e José de Barros Costa foram denunciados pelo assassinato do vereador Valdir Pereira. O crime ocorreu em 7 de agosto de 2002 em frente à casa da vítima, em Várzea Grande. O Ministério Público aponta que a motivação do crime foi a disputa de pontos de exploração de caça-níqueis. Na época, o esquema de jogos era comandado por Arcanjo, mas Pereira havia se unido ao radialista Rivelino Jacques Brunini na tentativa de coordenar o “próprio negócio”. Rivelino foi morto em junho de 2005, na Avenida do CPA, em Cuiabá.

Outro lado

A reportagem tentou falar com o advogado de defesa de Arcanjo, Zaid Arbid, mas não obteve resultado.

Hércules volta atrás e nega participação em crime

Depois de confessar em depoimento a execução do ex-vereador Valdir Pereira, o ex-policial Hércules de Araújo Agostinho negou nesta terça-feira (26) durante audiência em Várzea Grande qualquer participação no crime. Segundo Hércules, a 1ª confissão ocorreu porque o também denunciado Edmilson Pereira Leite teria apontado ele como executor. Depois, o apontamento de João Arcanjo Ribeiro teria sido motivado por indução de “interesse de terceiros”.

Apontado como executor de Valdir, segundo denúncia, Hércules nega ter feito os disparos e diz que não sabe quem efetuou. Apesar de ter passado o dia anterior ao crime na chacará de Valdir com algumas pessoas, dentre elas alguns dos denunciados, ele confirmou que só ficou sabendo da morte no dia seguinte. “Para mim é até temeroso falar, depois que dei depoimento fui constantemente transferido. Mas tinha um acordo para que se eu falasse eu teria direito a cela especial e a uma quantia em dinheiro. Nunca tive contato com Arcanjo, só vi ele de longe no presídio”, diz Hércules.

Na audiência foi ouvida ainda a testemunha Ananias Santana da Silva, para quem Edmilson teria contado sobre o crime. Ananias disse que teria ido a uma festa na chácara de Valdir com Edmilson. No dia seguinte quando foi à casa do amigo ele contou sobre o fato. Edmilson teria dito a Ananias que Hércules foi à casa dele com uma roupa camuflada e uma arma e disse que teria matado Valdir e devolveu um carro que teria emprestado de Edmilson.

Já o irmão de Valdir, Denivaldo Pereira afirmou que a família chegou a fazer uma espécie de investigação, mas que só soube quem matou quando o cabo Hércules confessou a morte. Para Denivaldo, a motivação ainda é incerta, podendo inclusive ter ligação política, já que o irmão vinha tendo ascensão. Denivaldo descartou a participação de outros envolvidos. “A morte do meu irmão não tinha qualquer ligação com caça-níquel como falado. O motivo da morte dele foi porque ele fez algo que não agradou”, disse.

fonte: muvuca popular


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