Mato Grosso tem mais de 100 casos de microcefalia em investigação

Deste total, 106 estão em investigação, o que representa a porcentagem de 24,82%

Dados da Secretaria Estadual de Saúde (Ses) apontam que 427 casos de microcefalia foram notificados em Mato Grosso, segundo as definições do Protocolo de Vigilância para recém-nascido,natimorto, abortamento ou feto. Deste total, 106 estão em investigação, o que representa a porcentagem de 24,82%.

Pesquisadores ouvidos pela Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados não descartam o risco de novos casos de microcefalia causados por Zika vírus no País. Eles apontam que a gravidade dos casos registrados, principalmente no nordeste, tem relação com a bactéria saxitoxina (que se reproduz na água) associada à dengue e à desnutrição.

“Essa é uma situação preocupante. No começo do ano encaminhei requerimento ao ministro da Saúde pedindo informações sobre a atuação ao combate à Dengue, Zika e Chikungunya no estado de Mato Grosso. Dentro desse contexto de prevenção, acredito que o Ministério da Saúde precisa discutir melhor a quantidade dita segura de cianobactérias na água fornecida à população. Precisamos encontrar uma forma de evitar que mais bebês nasçam com microcefalia por causa da zika”, justificou deputado federal, Dr. Leonardo, durante audiência pública sobre o tema, na último dia 11.

Desde a implantação do sistema de informação de microcefalia, em 2015, foram notificados 427 casos em Mato Grosso. Vale ressaltar que 47,77% do total notificado foram descartados, 24,82% estão em investigação, 18,73% foram confirmados e 7,25% considerados como prováveis casos com alterações congênitas relacionadas ao Zika vírus e/ou seguintes agentes infecciosos: Sífilis, Toxoplasmoses, Rubéola, Citomegalovírus e Herpes vírus (STORCH), conforme critérios estabelecidos na publicação do Ministério da saúde 2017. Seis casos foram considerados inconclusivos (1,41%), pois os municípios notificantes não encontraram a família (pais e criança) para realizar a investigação etiológica e concomitante acompanhamento.

Dos 141 municípios, 74 já registraram casos, a maioria concentrando na região sul do Estado, principalmente em Rondonópolis (114), na capital (67), Cáceres (58) e em Várzea Grande (28) correspondendo a 62,51% dos casos e os 37,49% restantes com distribuição dispersa nos demais municípios.

SITUAÇÃO PREOCUPANTE

Mesmo após quatro anos da epidemia de zika, o Brasil continua com índices de incidência de microcefalia acima dos níveis mundiais nas regiões Nordeste, Centro-oeste e Sudeste. Em 2018, a cidade de Belo Vale, em Minas Gerais, registrou 50 casos por 10 mil habitantes, enquanto no restante do mundo esse índice é de dois casos por 10 mil.

Para o pesquisador em microbiologia celular Flávio Lara, os fatores responsáveis pela gravidade dos casos de microcefalia ainda não foram sanados e podem voltar a ocorrer. “A saxitoxina provavelmente é um deles, restrição proteica também, a desnutrição”, enumerou. Lara afirmou que o próximo passo da pesquisa é identificar fatores ambientais que contribuem para maior incidência de dengue e zica no nordeste. “Fatores evitáveis para a gente poder se preparar para uma possível futura epidemia de zika na região”.

Professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Renato Molica considera as condições de saneamento no País mais um agravante. Ele lembra que no Brasil apenas 52% do esgoto são coletados e desse total somente 46% são tratados, o que leva a condições ideais para a reprodução da saxitoxina, bactéria que não é retirada da água através do processo de tratamento atual.

A coordenadora geral de vigilância em saúde ambiental do Ministério da Saúde, Thais Cavendish, explicou que já existe um protocolo de tratamento da água potável que é atualizado a cada cinco anos, mas reconhece que os níveis de saneamento no Brasil ainda são muito baixos, dificultando esse controle.

fonte: Olhar Direto


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