Rafael Henzel (1973-2019)© Getty Images Rafael Henzel (1973-2019)

Na última terça-feira, morreu o jornalista Rafael Henzel, vítima de um infarto sofrido enquanto jogava futebol. O triste falecimento de um dos sobreviventes do acidente aéreo da Chapecoense em 2016 serve de alerta para muitos ‘peladeiros’ que gostam de bater bola por aí.

“É a doença que mais mata no Brasil e é muito negligenciada”, afirma o Dr. Sergio Timerman, coordenador do Centro de Treinamento de Emergências da Sociedade Brasileira de Cardiologia, sobre problemas no coração.

Quem acredita que jogar apenas uma ‘pelada’ no fim de semana é bom negócio, está enganado. Segundo especialistas, não praticar exercício durante a semana e se esforçar numa partida de futebol é perigoso.

“Futebol é um exercício bem mais intenso. Recomendamos um exercício moderado, como uma caminhada, por exemplo. Se disser que joga futebol de três vezes por semana, não exagera, é um exercício bom. Mas se não faz exercício e joga no fim de semana, não é recomendado”, explica o Dr. Leopoldo Piegas, coordenador do Programa de Infarto Agudo do Miocárdio do Hospital do Coração, em São Paulo.

Torcedores e atletas do clube ajudaram a imaginar como seria o gol que nunca existiu© Fornecido por ESPN do Brasil Eventos Esportivos LTDA

Torcedores e atletas do clube ajudaram a imaginar como seria o gol que nunca existiu

“Importante é a regularidade, não a intensidade. Intensidade é para quem tem condicionamento físico. Numa pelada, muitas vezes, o exercício fica mais intenso. Isso não é benéfico”, explica o Dr. Sergio.

“Eu conheço vários casos de pessoas que jogam futebol. Às vezes com 45 anos, sedentário, com sobrepeso e até um histórico familiar”, recorda o Dr. Leopoldo. “É necessário fazer uma avaliação clínica, pelo menos uma vez ao ano, na qual fazemos um eletrocardiograma e uma prova de esforço”, diz o médico.

Para quem tem mais de 40 anos, principalmente do sexo masculino, é importante fazer o “check-up” anual. Mas não se pode esquecer dos fatores de risco, que precisam ser observados com maior cuidado.

Fatores de risco

Histórico de doenças do coração na família, sobrepeso, pressão alta, colesterol alto, diabetes, sedentarismo e uso de cigarro. Cada um desses são fatores que podem oferecer ainda mais risco de infarto. Nesses casos, é bom procurar um médico mesmo antes dos 40 anos.

“Quanto mais fatores, maior probabilidade de problema”, afirma Timerman, que recorda ainda de outro elemento por vezes negligenciado: o estresse.

“Um fator importante (na morte de Henzel) pode ter sido o desastre. Muitas vezes, um fator negligenciado é o estresse, a depressão. Ele passou por um estresse altíssimo no acidente, vários amigos morreram. Estresse mata e não pode ser negligenciado. É um fator que pode ter colaborado”, opina.

Para se prevenir, é preciso levar uma vida saudável. Fazer exercícios moderados ao menos três vezes por semana, evitar consumir muitos alimentos gordurosos, beber álcool com parcimônia e não fumar são atitudes importantes.

fonte: Texto ESPN com edição de título de O Melhor da Noticia