Oposição tenta abrir ‘CPI dos Grampos’ e avalia novo pedido de impeachment contra Taques

Oposição tenta abrir 'CPI dos Grampos' e avalia novo pedido de impeachment contra Taques
A deputada estadual, Janaína Riva (MDB), tentará novamente abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso dos grampos ilegais ocorridos em Mato Grosso. Além disto, também está sendo avaliado um novo pedido de impeachment contra o governador Pedro Taques (PSDB), apontado pelo cabo Gerson Corrêa – que confessou a participação no fato – como o responsável pelas escutas, junto a seu primo, o ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques.

“Tivemos uma declaração do cabo dizendo que 24 deputados foram grampeados. Não foi só eu enquanto parlamentar, mas outros colegas também. Agora, tentaremos colher as assinaturas necessárias para a abrir a CPI. Temos este fato novo que é o depoimento do cabo e sua confissão. Acredito que não teremos dificuldades”, comentou a deputada Janaína Riva.

A deputada acredita que esta será uma forma e mostrar para a sociedade se os deputados tem interesse ou não de esclarecer o caso dos grampos. Janaina acredita que tudo ficou muito confuso anteriormente, porque mesmo com as denúncias já existentes, muitos resolveram não fazer nada.

Na CPI, devem ser chamados a depor o cabo Gerson e vários dos citados por ele durante o depoimento.

“Com relação ao pedido de impeachment, temos que estudar primeiro os elementos e argumentos que comprovem a improbidade administrativa. Só assim poderemos apresentar um pedido que seja contundente, sério, que tenha embasamento jurídico. Vamos aguardar isto das equipes dos gabinetes parlamentares”, disse a deputada.

Janaina ainda lembrou que já existe um pedido de impeachment contra o governador: “Apesar de se tratar de fatos distintos, o tema é o mesmo: a improbidade administrativa. É interessante que se coloque isto em pauta. Estamos à beira de um processo eleitoral. Nós vemos que muitos deputados vão para o interior e fazem um discurso diferente do que fazem na Assembleia Legislativa”.

Bomba na madrugada

A madrugada do dia 28 de julho teve início com uma bomba, principalmente nos bastidores da política. Isso porque o cabo Gerson resolveu confirmar a participação no esquema e confirmar a existência dos grampos ilegais em Mato Grosso. “Vim aqui hoje pra trazer a verdade real”, afirmou Gerson, último ouvido desta madrugada.

O cabo citou o ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques. Seria ele a pessoa responsável por bancar as interceptações que seriam feitas. Zaqueu teria ligado para Gerson informando que este se encontraria com alguém que dispostos a investir nas interceptações. Gerson foi com o coronel Evandro Lesco a um restaurante na estrada de Chapada, onde se encontrava Paulo Taques, primo do governador Pedro Taques (PSDB). Paulo teria mostrado disposição em arcar com as custas dos grampos que deveriam ser feitos. O grupo embolsou R$ 50 mil para comprar os primeiros equipamentos para as escutas.

O cabo Gerson acrescentou que o interesse da barriga de aluguel seria do governador Pedro Taques e do ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques: “O interesse das barrigas de aluguel é do Paulo Taques e do governador”.

Gerson Corrêa Júnior atuava no Gaeco e possuia o ‘know how’ na operação do Sistema Guardião de Interceptação Telefônica. Foi levado em 2015 para o Núcleo da Inteligência da Polícia Militar, na Casa Militar, época dos grampos. Continuou na Casa Militar até maio de 2017, quando teve prisão preventiva decretada por ter operado o esquema de interceptações telefônicas ilegais.

Os acusados desta ação penal militar são: Zaqueu Barbosa, Evandro Lesco, Ronelson Barros, Januário Batista e Gerson Correa Junior. Os cinco respondem pelos crimes de Ação Militar Ilícita, Falsificação de Documento, Falsidade Ideológica e Prevaricação, todos previstos na Legislação Militar.

Outro lado

O Governo do Estado informa que o governador Pedro Taques determinou a apuração de todos os fatos relacionados às supostas escutas telefônicas clandestinas assim que a denúncia chegou ao conhecimento dele, em 2015, garantindo independência das Polícias Civil e Militar nas investigações.

O Governo do Estado ressalta ainda que o governador Pedro Taques solicitou ao Superior Tribunal de Justiça que ele próprio fosse investigado neste caso para comprovar, perante a Justiça, que não teve qualquer envolvimento nos fatos narrados por terceiros.

Já a assessoria de imprensa do ex-secretário Paulo Taques afirma que a defesa nega as acusações e que se pronunciará nos autos do processo.


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