Venda de máscaras aumenta em Cuiabá após casos de suspeita de coronavírus no país

Distribuidora vendi, por semana, uma média de 10 caixas com 50 máscaras cada. No último mês, a venda semanal foi de 150 caixas. Mato Grosso não tem nenhum caso suspeito do vírus.

Por Kessillen Lopes, G1 MT


Coronavírus — Foto: Getty images via BBC

Coronavírus — Foto: Getty images via BBC

As suspeitas de pessoas infectadas com o coronavírus no Brasil tem criado um estado de alerta para a população cuiabana. Apesar de não ter nenhum caso suspeito em Mato Grosso, a venda de máscaras cirúrgicas descartáveis, em Cuiabá, teve um aumento significativo nas últimas semanas, conforme levantamento realizado pelo G1.

O responsável pelo setor de compras de uma distribuidora de artigos hospitalares, Rafael Almeida, contou que o estoque da empresa já está chegando ao fim.

“Trabalhamos com a venda no atacado e varejo e percebemos que o aumento maior foi na venda varejista. Já estamos com dificuldade de encontrar o produto no mercado”, disse.

Em nota, a Sociedade Brasileira de Infectologia diz que não recomenda o uso de máscaras no Brasil, pois ainda não há casos comprovados no país. No entanto, a instituição afirma que cuidados higiene devem ser reforçados diante da ameaça do vírus.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária também não colocou o uso de máscara entre as recomendações à população em geral, apenas para funcionários de portos, aeroportos e fronteiras que fazem abordagem de pessoas e inspecionam bagagens acompanhadas.

População aumentou o consumo de máscaras — Foto: Fepesil/Estadão Conteúdo

População aumentou o consumo de máscaras — Foto: Fepesil/Estadão Conteúdo

Segundo Rafael, a empresa importa o produto da China, entretanto, a compra está limitada, pois a maioria das máscaras já foram adquiridas pela própria população chinesa.

“Depois do surto do coronavírus, a demanda aumentou, mas não estamos conseguindo mais importar. Estamos regrando o estoque para conseguir passar essa fase”, explicou.

A empresa vendia, por semana, uma média de 10 caixas com 50 máscaras descartáveis cada. No último mês, a venda semanal foi de 150 caixas.

Outro problema relatado pelas distribuidoras é com relação aos valores. Segundo as empresas, o valor para a importação desse produto triplicou, o que deve refletir no bolso do consumidor.

O vendedor Toninho Arruda afirmou que na farmácia onde trabalha na capital os estoque está sendo renovado.

“Não vendíamos muito essas máscaras, mas a expectativa é que a procura aumente, então estamos nos preparando abastecendo os estoques”, disse.

Maioria da população chinesa tem usado máscaras — Foto: Estadão Conteúdo

Maioria da população chinesa tem usado máscaras — Foto: Estadão Conteúdo

Viagem à China

Uma família de Cuiabá fez uma viagem recente para Hong Kong, na China, e contou ao G1 que se isolou ao retornar para o Brasil, na semana passada.

O advogado, que não quis ter a identidade divulgada, afirmou que passou sete dias no país asiático com a mulher e os filhos, de 12 e 19 anos. Durante toda a viagem, eles usaram máscaras.

“A viagem já estava sendo planejada desde julho de 2018 e no ano passado deixamos tudo pago. Não tinha mais o que fazer. Como medida de segurança, a gente tomou vitaminas e comprou álcool em gel e máscaras para usarmos lá. A viagem foi ótima, o que mudou foi justamente os cuidados de higiene e com a alimentação, evitamos comer comidas de rua”, explicou.

O advogado garantiu que a família não possui nenhum sintoma da doença e que se isolou apenas como medida de segurança. Mesmo dentro de casa, a família continua mantendo a higiene com o uso de álcool em gel e máscaras.

“Precisamos ter certeza e preservar a saúde dos colegas de trabalho e dos familiares. As pessoas estão preocupadas e nós precisamos assumir essa responsabilidade. Não poderia colocar em risco a vida de outras pessoas”, ressaltou.

Mortes e suspeita até a manhã desta segunda-feira (3):

  • 361 mortes na China
  • 1 morte nas Filipinas
  • 17.238 casos suspeitos na China
  • 148 casos suspeitos em outros países
Não há casos confirmados no Brasil — Foto: Ministério da Saúde
Não há casos confirmados no Brasil — Foto: Ministério da Saúde

Não há casos confirmados no Brasil — Foto: Ministério da Saúde

Casos suspeitos no Brasil

O Ministério da Saúde informou no sábado (1°) que o Brasil tem 16 casos suspeitos do novo coronavírus 2019 n-CoV. Nenhum caso foi confirmado.

Metade dos pacientes está em SP. Há suspeitas também no Ceará (1), Paraná (1), Santa Catarina (2) e Rio Grande do Sul (4).

Outros dez casos foram descartados: Minas Gerais (1), Rio de Janeiro (1), São Paulo (2), Paraná (1), Santa Catarina (2) e Rio Grande do Sul (3).

Ciclo do novo coronavírus - transmissão e sintomas — Foto: Aparecido Gonçalves/Arte G1
Ciclo do novo coronavírus - transmissão e sintomas — Foto: Aparecido Gonçalves/Arte G1

Ciclo do novo coronavírus – transmissão e sintomas — Foto: Aparecido Gonçalves/Arte G1

Recomendações

Os especialistas recomendam a “etiqueta respiratória” para evitar a transmissão: cobrir a boca com a manga da roupa ou braço em caso de tosses e espirros e sempre lavar as mãos.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomenda que os serviços de saúde adotem protocolos de prevenção antes, durante e depois da chegada do paciente, com desinfecção e ventilação de ambientes.

Para quem trabalha em pontos de entrada no país, como aeroportos e fronteiras, é recomendado o uso de máscaras cirúrgicas.

Caso haja algum caso suspeito em aviões, navios e outros meios de transporte, é recomendado usar máscara cirúrgica, avental, óculos de proteção e luvas. A inspeção de bagagens deve ser feita com máscara cirúrgica e luvas.


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