Venda direta do etanol não é vantajosa para maior parte do Brasil

Das 341 unidades produtoras de etanol, 47% ficam em São Paulo, 17% em Goiás e 10% em Mato Grosso

Especialistas defendem que, apesar da venda direta do etanol das usinas para os postos parecer vantajosa à princípio, ela só funcionaria em alguns estados, como no caso de São Paulo, por exemplo, onde tanto a demanda quanto o consumo são altos. Porém, segundo o coordenador do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), José Vicente Caixeta Filho, na maior parte das regiões brasileiras a necessidade de investimento para que as usinas cheguem aos postos seria muito alta e, consequentemente, custaria muito caro.

Apesar de uma pesquisa realizada por Thiago Guilherme Péra, coordenador técnico da EsalqLog, indicar que no estado de São Paulo a venda do etanol reduziria os custos logísticos em 30%, Caixeta salienta que é preciso observar as particularidades das outras regiões brasileiras. Ele explica que, das 341 unidades produtoras de etanol distribuídas em 292 diferentes municípios, 47% ficam em São Paulo, 17% em Goiás e 10% em Mato Grosso, o restante é apenas residual.

“As usinas não têm logística suficiente para chegar aos milhares de postos espalhados pelo Brasil, não há infraestrutura para muitas regiões, como dutos, ferrovias e bitrens”, comenta.

Além disso, Caixeta afirma que a cadeia de suprimentos do etanol deve “ter o envolvimento efetivo do agente de distribuição”, já que devem-se levar em consideração fatores como a gestão de estoques do biocombustível e a eficiência na alocação da frota. Ele também defende que o Brasil tem que deixar de ser tão dependente do transporte rodoviário, investindo mais nas dutovias, por onde 2 bilhões de litros de etanol foram movimentados no ano passado, o que equivale a 8% da produção total do biocombustível.

A opinião de que a venda direta dos combustíveis aos postos também é compartilhada pelas distribuidoras, que acreditam que isso geraria perdas no controle do processo e da qualidade do produto. Para o presidente executivo da Plural (antigo Sindicom), Leonardo Gadotti, que alerta que se fosse implementada, a medida poderia criar um “buraco tributário”.

“É preocupante um projeto dessa natureza que mexe no setor todo. É uma medida eleitoreira, eu não tenho dúvida. Por que uma medida de urgência em um projeto tão importante, em um processo no qual não se escuta ninguém?”, questiona ele.

Gadotti se refere ao projeto de decreto legislativo que visava permitir a venda direta de etanol aos postos, mas que após ser incluído nas pautas do Congresso em caráter de urgência foi rejeitado por não conseguir os votos necessários para a aprovação, o que aconteceu na quarta-feira (20.06).

Por: AGROLINK -Leonardo Gottems 


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