Vereador é cassado após pagar professora para ensinar analfabeta a escrever carta e registrar sua candidatura em MT

Por G1 MT

Wanderley Paulo da Silva (PP) — Foto: Arquivo Pessoal

Wanderley Paulo da Silva (PP) — Foto: Arquivo Pessoal

O vereador de Sorriso, a 430 km de Cuiabá, Wanderley Paulo da Silva (PP), teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral na última sexta-feira (22). A decisão é da juíza Paula Saide Biagi Messen Mussi Casagrande, da 43ª Zonal Eleitoral.

G1 tenta localizar a defesa do parlamentar.

Conforme a ação, proposta pelo Ministério Público Eleitoral, Wanderley, utilizando-se da ingenuidade e analfabetismo de Maria de Fátima França Cabezas, popularmente conhecida como “Maria Pipoca”, pagou uma professora para que ela escrevesse uma carta, de próprio punho para o registro de candidatura dela e, em seguida, compareceram perante o cartório notarial e registral – 2º Ofício de Sorriso, para assinarem documentos de cancelamento da candidatura nos exatos termos anteriormente combinado entre eles, o que configura fraude eleitoral para cumprimento da cota de gênero.

A cota de gênero foi instituída com a finalidade de aumentar e proporcionar o protagonismo feminino nos cargos eletivos. “A Justiça Eleitoral tem sido extremamente atenta a eventuais fraudes, posto que tal conduta fere a isonomia do pleito, a diversidade e a dignidade da pessoa humana, devendo portanto ser fortemente combatida”, diz trecho da ação.

Ainda segundo a ação, em 30 de setembro do ano passado, Maria de Fátima compareceu à Promotoria de Justiça e expressamente declarou que, a princípio, aceitou ser candidata ao cargo de vereadora pelo PP, sendo que o presidente do partido tinha conhecimento que ela é analfabeta.

Em razão disso, Vanderley pediu para ela fazer uma carta de próprio punho para registrar a sua candidatura e, sabendo ser ela analfabeta, disponibilizou uma professora para ensinar-lhe a escrever, sem êxito diante do curto espaço de tempo.

Diante disso, uma vizinha ditou a declaração e a filha de Maria de Fátima, que é pessoa especial, redigiu de próprio punho. Ela também contou que o vereador lhe autorizou a “arrumar os cabelos em um salão de beleza para tirar fotos da candidatura. Todavia, posteriormente, quando lhe mostraram uma postagem na internet onde ela constava oficialmente como vereadora, resolveu desistir da candidatura”.

Na mesma data, Maria de Fátima França retornou à Promotoria de Justiça e prestou nova declaração informando estar sendo, de certa forma ‘ameaçada’ por um desconhecido e apresentou ao Ministério Público, em mídia, conversas e fotos que constavam no aparelho celular de sua filha, áudios de um assessor do vereador, informando que, conforme combinado, iria providenciar a baixa do registro de sua candidatura.


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