Preço do milho pode chegar a R$ 120 por saca, diz consultoria

Segundo Matheus Pereira, as altas até então eram motivadas pela demanda aquecida, mas, a partir de agora, pesará cada vez mais a perspectiva de quebra de safra

Por Canal Rural

O preço do milho nos mercados físico e futuro atingiu patamares recordes neste ano. De acordo com o diretor da Pátria Agronegócios, Matheus Pereira, as cotações ainda tem espaço para subir R$ 20 por saca nos próximos meses.

Pereira lembra que a alta registrada no preço do milho até então se deve ao aumento na demanda. A China, que mal importava, tornou-se, quase do dia para a noite, a maior compradora mundial do cereal. Agora, no entanto, junta-se a esse quadro de oferta aquecida a possível redução na oferta.

No Brasil, o atraso no plantio da soja colocou o milho segunda safra em risco. Em algumas regiões do país, as lavouras não veem chuva há mais de um mês. “Não caberia dentro de uma hora colocar todos os relatos de produtos que sofrem com a intempérie climática”, diz. “Temos clientes de Mato Grosso do Sul com 40 dias de seca. O milho está ‘jogado às traças’, como dizem”.

Tendência para o milho

Diante desse quadro de quebra na segunda safra, o preço do milho pode ter novas altas. Segundo o analista de mercado, a cotação pode subir 20% sobre o patamar atual – ou R$ 20 por saca sobre os R$ 100 por saca.

Matheus Pereira afirma que os patamares atuais observados no mercado interno tiram a rentabilidade de alguns compradores, que estão procurando substitutos, principalmente para ração animal. “Enquanto a gente tiver livre exportação, caminho de escoamento, com toda a adição da demanda para exportação, podemos ter novas altas empilhadas”, diz.

Outro fator que pode pesar sobre o preço do milho é o recuo dos vendedores. Segundo o diretor da Pátria Agronegócios, isso é normal, já que diante da expectativa de quebra, o produtor tem medo de negociar e depois não conseguir cumprir com os contratos.

Preço do milho em Chicago

O cereal não tem se valorizado apenas no Brasil. A Bolsa de Chicago trabalha nos patamares mais altos desde a safra 2013/2014, e a tendência é de firmeza. Além da já mencionada demanda aquecida, o mercado climático está operando. Assim, qualquer notícia de problema no tempo que possa diminuir a produtividade das lavouras dos Estados Unidos, deve se refletir em altas nos contratos futuros. “Neste momento, o mercado não comporta qualquer tipo de quebra de oferta”, diz.


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