Presidente da Aprosoja Antonio Galvan é alvo de operação da Polícia Federal

A Aprosoja negou qualquer relação com a convocação feita por Sérgio Reis, defendendo a invasão do Senado e a deposição dos ministros do STF

Por Canal Rural

A Polícia Federal cumpre 13 mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira, 20, em operação que tem entre os alvos o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Antônio Galvan, cantor Sérgio Reis e o deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ). Os mandados foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito das investigações sobre ataques a instituições.

A ação da Polícia Federal acontece em seis estados – Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Ceará e Paraná – e no Distrito Federal.

Segundo a PF, o objetivo é apurar “o eventual cometimento do crime de incitar a população, através das redes sociais, a praticar atos violentos e ameaçadores contra a democracia, o Estado de Direito e suas instituições, bem como contra os membros dos Poderes”.

No caso do presidente da Aprosoja, o mandado de busca e apreensão foi cumprido na casa dele, em Sinop, em Mato Grosso.

Galvan participou do almoço com Sérgio Reis e o presidente Jair Bolsonaro na semana passada, em Brasília.

Depois do encontro, o cantor enviou o um áudio polêmico, em que falava sobre um protesto em Brasília. O cantor chegou a dizer que havia reunido 40 plantadores de soja, “os grandes do Brasil”, e que eles tinham bancado “a ida de 400 índios para Brasília e eu, bancaram tudo e eu apresentei 400 índios para o Bolsonaro”.

Aprosoja brasil antonio galvan

Foto: Aprosoja-MT/divulgação

Operação

Um dos locais de busca da PF na manhã desta sexta-feira foi o gabinete do deputado Otoni de Paula, em Brasília. Diante da operação, o deputado divulgou um vídeo pelo Facebook no qual defende o direito de expressar seus pensamentos. “Não vou recuar um milímetro dentro do que a democracia me permite, dentro do que a Constituição me permite”

Nesta semana, após vir a público um vídeo em que convocava caminhoneiros para um protesto no dia 7 de setembro contra o STF, Sérgio Reis passou a ser investigado em um inquérito aberto pela Polícia Civil do Distrito Federal. O artista também é alvo de uma representação assinada por 29 subprocuradores gerais da República.

Durante a semana, o cantor disse que estava arrependido, mas que não tem medo de ser preso. “Se não fizer uma paralisação, não muda este país. Não sou frouxo. Não sou mulher. Cadeia é para homem. Eu não saí daqui de casa. Estou aqui em casa quietinho. Se a [Polícia] Federal vier me buscar, eu vou. Não matei ninguém. Não prejudiquei ninguém. Nunca falei mal de nenhum ministro”, afirmou.

Outro lado

Procurado pela reportagem, Antônio Galvan, afirmou que a Polícia Federal foi “extremamente” gentil.

“Nada encontraram em casa que justificasse a operação ordenada pelo ministro Alexandre de Moraes. Pra mim, é pura intimidação pelo falo de estarmos conclamando a população brasileira a se manifestar no dia 7 de setembro, contra os abusos que alguns ministro estão cometendo”, diz.

Galvan também diz que, assim como outros produtores rurais do Brasil, faz parte do movimento Brasil Verde Amarelo. “Já usado para fazer outros manifestos, como o do próprio Funrural. Aliás, foi criado por esse motivo”, complementa.

Aprosoja

Nesta quinta-feira, 19, a Associação Brasileira dos Produtores de Soja negou, em nota, qualquer relação com a convocação feita por Sérgio Reis, defendendo a invasão do Senado e a deposição dos 11 ministros do Supremo.

No comunicado, a Aprosoja diz que “não financia e tampouco incentiva a invasão do Supremo Tribunal Federal ou quaisquer atos de violência contra autoridades, pessoas, órgãos públicos ou privados em qualquer cidade do País”.

Leia a íntegra da nota:

“Com o objetivo de levar esclarecimento à sociedade a respeito de notícias publicadas em veículos de circulação nacional sobre manifestações marcadas para o dia 7 de setembro de 2021, a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) declara que:

• não financia e tampouco incentiva a invasão do Supremo Tribunal Federal ou quaisquer atos de violência contra autoridades, pessoas, órgãos públicos ou privados em qualquer cidade do País.

• sempre defendeu de forma peremptória o Estado Democrático de Direito e o equilíbrio entre os Poderes da República e continuará a ter a mesma postura republicana em defesa do pleno funcionamento das instituições e o respeito aos representantes das esferas de poder no País. É missão da entidade, inclusive, cooperar com os órgãos oficiais.

• há mais de 30 anos representando de forma legítima 240 mil sojicultores e suas famílias, a entidade não concorda e não apoia manifestações que preguem trancamento de rodovias, ações desordeiras e outras quaisquer que prejudiquem o abastecimento de alimentos, medicamentos e bens essenciais à população, bem como seu direito de ir e vir.

• historicamente, a Aprosoja Brasil somente apoiou movimentos pacíficos e em conformidade com a Carta Constitucional brasileira.

• todos os recursos da Aprosoja Brasil são destinados e utilizados exclusivamente em atividades que tenham pertinência com seus objetivos estatutários, visando sempre a defesa dos interesses dos produtores de soja. As contas da entidade são integralmente auditadas para que o mais alto nível de ética e compliance seja alcançado.

Portanto, a associação não possui qualquer ligação com atos que defendam “invadir” ou “quebrar” o STF, não responde institucionalmente pela organização de nenhum movimento e repudia qualquer publicação que vincule a associação a movimentos violentos ou ilegais.”


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